Quero que saibas, amor, que desta terra apenas levo um
coração limpo e tenebroso; que a fome não corrompe o meu
desejo (amor); que não sabendo amar, aprendi contigo a ver
o mundo tão distinto, tão diferente: calmo, transparente,
passando por mim, ao meu lado, passando por mim ( amor) –
como tu. Como tu me abriste o coração que já só de rojo me
obrigara a caminhar?!, sem nada ver, indiferente. Mas é
tenebrosa a escuridão invadindo esse medo de te perder, apenas
dentro de mim, ou de te ter a meu lado, amor.
Amor, quero que saibas, o meu pavor de nada saber, de nada
saber dar, de não saber amar-te no teu desejo, na tua fome, na
tua sede privando noutro caminho. Como sinto terror, amor.
Quero que saibas, amor, que há muito, nesta terra, o meu
coração é limpo e tenebroso.
Agora que já sabes, amor, é teu o poder de assombrar.
