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Saturday, May 21, 2011

ENTREVISTA EXCLUSIVA A PATRÍCIA MATOS, TVI


1) A Patrícia é ribatejana. Como foi crescer nessa zona do país?

Sim, sou ribatejana, natural de Santa Margarida da Coutada, a Sta. Margarida do Campo Militar. Vivi lá até aos meus 12 anos. Depois mudei para o concelho de Abrantes. Como já é Médio Tejo, já não é uma paisagem composta apenas de planícies. Crescer ali foi maravilhoso, das melhores coisas que tive na vida. Lembro-me de correr os cabeços com o meu pai à procura de um pinheiro que servisse como àrvore de Natal, do cheiro da terra molhada e dos regressos a casa depois da escola. Éramos poucos miúdos e eu sou filha única, era sempre uma festa.

2) Com que idade aprende a ler ? Lembra-se da sua professora primária. Como era ela?

Não recordo a idade mas sei que aprendi a ler muito cedo. Lia bem, não me enganava, fazia bem as pontuações, os meus primos achavam o máximo e a minha mãe não se cansava de me gabar. Tive duas professoras, na primária. Uma delas, a Dna. Justina, já tinha sido professora dos meus pais. Rigorosa! A prof. Glória era também muito exigente. Tinham ambas imenso trabalho comigo… era danada para a conversa!

3) Qual a história de encantar que marcou a sua infância, porquê?

Nunca me deixei levar por histórias de encantar, a sério. Lembro-me que gostava muito do Peter Pan, mas acho que não se pode chamar uma história de encantar…! Aquela fantasia da Terra do Nunca fascinava-me muito. Acho que todos queremos a ‘nossa’ terra do nunca. Não um sítio onde sejamos sempre crianças… mas o nosso mundo. E era isso que me entusiasmava- um mundo, uma ‘terra’ como eu queria!

4) Com que idade se apercebe que gostaria de ser jornalista

? Sempre o quis ser? ou nem sempre esse era o seu sonho?

Quando era miúda queria ser professora de inglês. Comecei cedo a estudar a língua e estava convencida que tinha futuro! Depois cresci, descobri outras coisas. A minha mãe tinha um amigo locutor de rádio que me disse que tinha uma boa voz. Nem fiz caso. Rádio? Que disparate! O ‘disparate’ virou caso sério. Comecei a fazer rádio por carolice aos 12 anos, numa rádio local. Depois, só depois, surge a paixão pelo jornalismo. Sempre na rádio, fiz programas de autor e noticiários… até entrar na faculdade. Depois o tempo escasseou… e apareceu a televisão!

6) Quem eram os seus jornalistas de referência durante a

sua adolescência? Porquê?

Lembro-me do José Rodrigues dos Santos, da Judite de Sousa, do Mário Crespo, a Luísa Fernandes, a Paula Magalhães, o Carlos fino. A imagem, o rigor, dei

xavam-me nervosa e entusiasmada ao mesmo tempo. Mas eu era mais rádio… o fascínio das vozes: o Sena Santos, o Adelino Gomes e, noutra vertente, dois Antónios: o Macedo e o Sala.

7) Onde se forma como jornalista?

Estudei no Instituto Politécnico de Portalegre, formei-me em

Jornalismo e comunicação. Eu e mais uns quantos colegas provámos que é possível vingar no mun

do profissional. Sem falsas modéstias. Lembro-me de alguém me perguntar se era ‘o Portalegre do Alentejo?’. Era, pois era. O curso deixou-nos muito preparados mas claro que só a prática nos dá tudo. Sentimo-nos muito orgulhosos por ter chegado a uma redacção e saber escrever uma notícia. Não temos poderes mágicos mas sabemos que a realidade é bem diferente. Ain

da durante o curso estagiei na Antena 1 e TVI e passei por 2 empresas de comunicação.

8) Qual foram os seus primeiros trabalhos no jornalismo?

Na rádio foram vários, não me lembro. Depois de terminar o estágio tra

balhei numa empresa de comunicação que tinha vários projectos de publicações: saúde, desporto, académica. Como estive no desporto, na Antena 1, estava mais confortável na área. Depois, passei por outra agência de comunicação onde escrevi sobre saúde. Essa foi uma área em que trabalhei bastante na TVI. Sei que no meu 2º dia de estágio em Queluz fui para o aeroporto com o repórter de imagem, esperar o corpo de uma português morto no Brasil. Dramático. Agosto. Horas a fio. Sol insuportável. Resistimos!

9) Lembra-se ainda do seu primeiro directo em TV. Que peça apresentou. Lembra-se?

Lembro. O 1º directo aconteceu exactamente um ano depois de ter en

trado para a TVI pela primeira vez, nessa altura ainda enquanto estagiária. Foi um directo de um incêndio no Belas Clube de Campo. Foi no Jornal Nacional, ainda não havia TVI 24. Acho que não correu mal… No estúdio, foi no dia 28 de Fevereiro de 2009, o TVI Jornal, as 14h.

10) Pivô ou repórter? Porquê?

Jornalista! Sempre! Enquanto jornalista preciso muito proc

urar, escrever e contar. Não faz sentido ficar só à espera que as notícias venham ter connosco para as comunicarmos. Faz sentido sermos nós a contá-las. E, de resto, um bom pivot é aquele que conhece a historia e a Históri

a. Que já esteve nos locais e sabe do que fala. E para isso é preciso trabalhar todos os dias. Informar e ser informado. Nada cai no colo. Não há sucesso sem trabalho. O estúdio dá-nos a postura que precisamos ter na rua, ensina-nos a ser disciplinados e mais formais. Hoje os pivots já são jornalistas e não vamos ser hipócritas: toda a gente sonha com o

lugar de pivot. Eu também sonhava mas mais nunca pensei que fosse uma realidade t

ão próxima!! Tenho um amigo que diz ‘hei-de estar a passar a rua, de bengala, e os meus olhos vão andar à roda à procura de uma história’. Nada mais certo!

11) Como foi dar a conhecer aos telespectadores a

residência oficial do Presidente da República?

Foi um trabalho muito engraçado. Um formato diferente, que ap

resentámos no Diário da Manhã. Pessoalmente, já conhecia o Palácio de Belém mas foi uma visita muito particular e muito agradável! Encontramos sempre coisas novas!

12) Lembra-se de alguma situação caricata em TV, que quando se recorda da-lhe vontade de rir, pelo acontecimento em si?

Várias… os realizadores esperam pelo final do jornal ou pela meteorologia para ‘aliviar um bocadinho’ e essas alturas são complicadas de gerir!! Eu consigo

mas nem sempre é fácil, há toda uma equipa a rir e nós temos de aguentar! São períodos muito longos, a concentração é máxima e há sempre qualquer coisa que falha. Lembro-me de ter um editor a canta

r os parabéns no meu auricular, durante o jornal, um assistente debaixo da mesa porque houve uma falha técnica, de ter trocado de camisa no meio do estúdio.

13) Para si, o que é ser jornalista?

É levantar pedras, mexer em papéis, acordar pessoas, fazer perguntas incómodas e não esperar as respostas. É respirar fundo, dormir nos intervalos do trabalho. É superar-se todos os dias, procurar mais, fazer melhor e ir mais além para contar aquilo que as pessoas ainda não sabem. Ensinaram há muito tempo que, independentemente do interesse que representam, todas as histórias são dignas e merecem, por isso, ser bem contadas.

Acredito que ser jornalista é quase como ser mãe: não ter horas, estar sempre disponível, sempre à procura do melhor momento e ter sempre uma palavra preparada. Na crónica do 2º aniversário do jornal ‘i’, Hugo Gonçalves dizia que «não é a mesma coisa ser jornalista e ser electricista. (…) Ninguém percebe de fusíveis e no entanto toda a gente comenta notícias. Ser jornalista é mais que um ofício, é uma tirania que

se escolhe.” Ser jornalista é difícil mas não trocava esta vida por nada!

14) 4 de Setembro de 2009. Que horas eram quando soube que seria a Patrícia a apresentar o Jornal Nacional de 6.ª, que até então tinha Manuela Moura Guedes na sua condução?

Nunca falei sobre este assunto. Já passaram quase 2 anos, já há algum distanciamento. Mas esta vai a ser a única vez. Sem me alongar… temos de recuar um dia.

Soube no final do dia 3 de Setembro.

15) Por quem soube que seria pivô nesse dia?

Fui convidada pela Manuela Moura Guedes. Perguntou-me se apresentava o jornal. Disse que sim. Fui convidada, não obrigada. Ao contrário do que se disse na altura.

16) Que misto de sensações a rodearam nesse momento e mais tarde às 20 horas em ponto, quando sabia que muitos portugueses queriam s

aber o que iria acontecer?

Aconteceu tanta coisa nesses dias que nem sei o que senti. Foi uma tarde muito complicada. Nervosismo, obviamente, e grande responsabilidade. O país inteiro estaria a ver o jornal naquele dia e a razão não era, naturalmente, por ser eu a apresentar.

17) Teve a oportunidade de falar com Manuela Moura Guedes após a apresentação do jornal? Em caso afirmativo, o que ela lhe disse?

Sim, falámos. A equipa do JN 6ªfeira estava à minha espera à po

rta do estúdio. A Manuela agradeceu o meu trabalho e eu agradeci o voto de confiança.

18) Como vê o TVI 24 no mundo do jornalismo?

Como uma potência emergente, assim como uma economia poderosa! Conheço bem o canal, ajudei ao nascimento. Está a dar passos pequenos mas sólidos e isso é o mais importante. Saímos em último lugar: lutamos contra o hábito, a História mas não desistimos, nunca! 2011 vai ser o ano do TVI 24.

Sunday, April 3, 2011

ENTREVISTA EXCLUSIVA À JORNALISTA DA TVI, CLÁUDIA LOPES

A ideia que o futebol é um espaço do «Homem Macho», à muito que deixou de ser uma realidade entre os homens, ou não… A verdade é que as mulheres no meio do futebol ainda são olhadas com alguma desconfiança e sarcasmo. Todavia, a jornalista da TVI, Cláudia Lopes, vem colocar de lado totalmente esta ideia, sendo exemplo de triunfo no meio da modalidade desportiva.

1) Cláudia, durante a sua infância preferia pentear o cabelo às suas bonecas ou não dispensava um bom jogo de futebol com os seus amigos?
Nunca tive o mínimo jeito para o futebol, nem nada que se pareça! Sempre pratiquei desporto, é facto, mas considero que algumas vezes tenha sido “Maria-Rapaz”.

2) Com que idade se apercebe que o mundo do jornalismo iria marcar a sua vida futura?
Tinha 22 anos quando fui estagiar para a RTP e logo percebi que o bicho tinha ficado cá dentro. Só em 1998 comecei no jornalismo desportivo e sem ser uma passagem planeada, antes pelo contrário…

3) Acaba por se formar onde?
Licencie-me no Instituto Superior de Comunicação Empresarial.

4) Quando era pequena quais eram os seus principais ídolos no futebol?
Não tinha! Não ligava nenhuma e não fazia ideia… mas se há um nome que me ficou, foi o de Maradona!

5) Quais foram as suas primeiras experiencias no mundo do jornalismo?
Foi como já referi, em 1992, quando fui estagiar para a RTP.

6) Como surge o convite de ir trabalhar posteriormente para a TVI?
Surge no fim de 2008 quando se começou a preparar a abertura do TVI24.

7) A Cecília Carmo possivelmente sempre lhe serviu de referência profissional, ou não fosse ela uma das primeiras jornalistas a estar ligada ao mundo do desporto. Que recordações guarda da época em que a via apresentar este tipo de magazines informativos?
Confesso que não tinha apetência pela informação desportiva antes de chegar ao desporto em 1998, lembro-me de ver apenas os grandes eventos, como os Jogos Olímpicos ou os Mundiais de Futebol, mas não era uma espectadora assídua!

8) O futebol continua ainda a ser muito machista. Concorda ou discorda totalmente desta afirmação? Porquê?
Não considero que seja machista, mas é um universo muito masculino! São coisas diferentes.

9) Como é que foi a reacção da sua mãe e do seu pai ao entrar num mundo até então, tão masculino?
Não tiveram reacção, nem boa nem má. Porque o jornalismo desportivo surgiu, não foi uma escolha nem um projecto.

10) Possivelmente tem algumas situações caricatas quando inicia a sua especialização no jornalismo desportivo, tipo comentários por parte de alguns homens ou até mulheres, lembra-se de algumas?
Quando comecei, ainda eram muito poucas as mulheres nesta área, tive algumas situações engraçadas e outras menos… mas genericamente sempre fui muito bem tratada e aceite num mundo mais masculino! Mas o mais normal de ouvir é que afinal sou mais baixinha do que pereço na televisão! 

11) A sua voz é muito característica dos relatos de futebol. Costuma ter alguns cuidados com ela, ou faz a sua vida normal sem nenhuma preocupação em especial?
Sem qualquer preocupação… até com alguns abusos… como são as bebidas geladas no Verão.

12) Foi uma das enviadas ao Mundial da África do Sul. Como é que foi esta experiência onde Portugal saiu derrotado?
A cobertura de um Mundial é sempre um momento especial para um jornalista, mais ainda tratando-se do primeiro Mundial em África! Foi uma experiência fantástica. Quanto ao desempenho da selecção, acho que tínhamos equipa e capacidade para ir mais à frente!

13) Actualmente apresenta programa «Mais Futebol» e ainda «Jornada» com o Sousa Martins. Como é trabalhar ao lado do Sousa Martins?
Sim, às sextas à noite no TVI24. O Jornada que apresento com o Sousa Martins: é uma experiência muito boa, porque já nos conhecemos há muitos anos. É sempre bom trabalhar com alguém que respeitamos profissionalmente e que é um grande amigo.

14) Acredita que existam algumas desvantagens para as mulheres jornalistas no mundo do futebol ou é exactamente a mesma coisa?
Não acredito nisso. Antes pelo contrário, acho que somos mais bem tratadas, com mais atenção e mais educação.

15) Uma das questões possivelmente mais ambíguas é a arbitragem, não arrisca muito neste campo, ou sente-se confortável?
Deixo isso para quem sabe, ou seja para o nosso comentador Pedro Henriques.

16) Cláudia, porquê que o futebol feminino português ainda não se encontra tão desenvolvido? Que barreiras são necessárias quebrar?
Acho que em Portugal gostam mais dos clubes do que de futebol e isso condiciona, e muito, o desenvolvimento do futebol feminino.

17) Que ingredientes são necessários para se ser um bom jornalista na área do desporto?
Os mesmos que para ser bom jornalista em qualquer outra área. Seriedade e rigor.

18) Para quando um jogo feminino da equipa de senhoras jornalistas e pivôs da TVI? Já agora quem seria a sua guarda-redes e porquê?
Lol! Não acho que isso algum dia possa acontecer!

19) Se a Susana Bento Ramos a convidasse para uma viagem numa daquelas motas de competição. Era mulher para aceitar o desafio?
Já tive o privilégio de dar duas voltas ao autódromo do Estoril à pendura de um senhor chamado Randy Mamola, por isso estou pronta para tudo!

20) No meio de tanto futebol consegue ter algum clube do coração ou prefere manter o anonimato?
Como quase todos os portugueses tenho clube… mas prefiro que a escolha não seja pública!

21) Fernando Correia um grande jornalista ligado ao desporto. Recebeu alguns conselhos desta grande figura do desporto?
O Fernando é de facto uma pessoa e um profissional que muito admiro, como ele como com muitos outros profissionais acho que tenho muito a aprender!

22) José Mourinho. Já teve a oportunidade de entrevistar esta grande figura do futebol. Quais as principais características que apreendeu deste grande líder?
Sim já o entrevistei. Acho que o mais importante, é que há dois Mourinhos: a figura pública e o homem. E são duas personagens diferentes!

23) Projectos para o ano de 2011?
Ui! Esta é a pergunta mais complicada! Não sou de grandes projectos. Porque depois se não se concretizarem lidar com a desilusão é muito mais complicado. Mas os projectos em que estou envolvida na TVI são de facto a minha grande prioridade para este ano!

Saturday, March 5, 2011

LARA SANTOS, PIVÔ DO TVI 24 EM ENTREVISTA EXCLUSIVA

1) A Lara é natural de onde? Como é que foi nascer e crescer nessa localidade?
Sou natural de Lisboa.
Nascer e crescer nesta cidade é fantástico.
Lisboa é, sem dúvida, a capital europeia mais bonita de todas e a luz de Lisboa, é sempre a luz de Lisboa. Confesso no entanto que tenho uma costela alentejana e sinto essa zona do país também como sendo minha.


2) Durante a passagem pelo ensino básico ou secundário, qual foi a altura que começou a perceber que o mundo do jornalismo faria parte da sua vida?
Percebi que queria ser jornalista muito cedo.
Com 5 anos pedia microfones no Natal e nos aniversários e montava estúdios de rádio em casa onde gravava os meus próprios programas.
A minha mãe conta que o meu passatempo favorito era entrevistar a família.
A profissão estava-me no sangue.



3) No seu tempo de infância quando via televisão, quem eram os grandes comunicadores que idolatrava e porquê?
Nunca vi muita televisão, sempre ouvi mais rádio mas recordo-me da minha referência ser a Margarida Marante.
Gostava da forma como a Margarida conduzia entrevistas e pensava que um dia também eu podia estar naquele papel.

4) A Lara fez parte do grupo de música que marcou gerações «Onda Choc». Como é que surge esta sua ligação ao grupo?
Surgiu quase por acaso. Soube que havia castings e participei.
Recordo-me que na altura eram 16 mil crianças e foram escolhidas 8.
Foi uma fase muito engraçada da minha vida e hoje tenho a certeza que o facto de subir ao palco tão nova e de comunicar, através da música e dança, com muitas pessoas, ajudou-me e desinibiu-me do receio das câmeras.



5) Desde cedo e enquanto elemento pertencente a este grupo começa a participar em programas televisivos, nomeadamente quem não se lembra, do palhaço «Companhia». Que recordações lembra desse tempopode nos dizer em que tempo As recordações desses tempos são óptimas.
Era um grupo de crianças muito unido e muito bem disposto.
É curioso porque graças ás novas tecnologias, conseguimos reencontrar-nos todos novamente.
Uma experiência dessas marca a vida de qualquer criança.


6) Lara onde se forma, enquanto jornalista? A Lara tem uma voz inconfundível, uma voz dita «perfeita» para rádio. Que experiências vivenciou neste domínio, da rádio?
Licenciei-me na Universidade Lusófona de Humanidades e tecnologias de Lisboa.
Trabalhei em várias rádios nomeadamente na TSF, na Rádio Comercial e no Rádio Clube Português.
Esta última foi a experiência profissional mais marcante que tive.
Fazia um programa da meia noite às 2h da manhã chamado "Posto de Escuta".
As pessoas ligavam para mim para falar da vida, contar estórias e desabafar.
A ligação que criei com os ouvintes foi extraordinária e ouvi muitos episódios que me fizeram crescer muito enquanto ser humano e ensinaram-me também a relativizar os problemas da vida.

7) Que cuidados nutre com a sua voz?
Alguns. Não beber nada muito gelado, não estar exposta mudanças drásticas de temperatura. Os cuidados básicos para poder trabalhar com ela todos os dias.
8) Qual foi a 1.ª situação em que encarou a câmara, em directo, pela 1.ª vez?
Foi na Tvi, num directo em Almada, no despejo de várias famílias. Estava nervosíssima.
9) Como surge a oportunidade de vir trabalhar para a TVI?
Estagiei na Tvi em 2005 e estive lá quase 1 ano.
Depois saí para experienciar o mundo da rádio, e acabei por voltar em 2009.
10) Lara de forma decisiva, pivô da informação ou repórter no terreno?
Que pergunta tão difícil. Um bom pivôt de informação tem de saber o que é estar no terreno.
11) Achei curiosa uma de tantas reportagens da autoria da Lara e da sua equipa: “Crianças já têm a noção do que é poupar”. Como foi organizar esta reportagem e sobretudo lidar com uma classe tão especial, as crianças?Entrevistar crianças é sempre especial mas é um grande desafio.
Essa reportagem foi muito engraçada de preparar, mas sempre que se chega ao terreno, há muitas ideias pré-definidas que caem por terra. Os olhos do jornalista precisam de estar "lá" para ver e para conseguir o melhor ângulo de abordagem.



12) José Carlos Castro afirma numa entrevista “que o pivô é mestre-de-cerimónias”. De certa forma a apresentação do trabalho dos colegas depende da boa performance do pivô que introduz a peça. Partilha desta opinião?
Partilho mas as pessoas têm de ter noção que o mestre-de-cerimómias apenas dá a cara por uma extensa equipa que está atrás de um jornal.
São dezenas de pessoas cada uma com a sua função e sem as quais a realização de um bloco de notícias não era de todo possível.

13) Sente-se de certa forma, uma filha do TVI 24?
Sinto-me uma filha deste canal naturalmente. Estar num projecto deste o primeiro segundo é uma sensação indescritível.

14) Considera que muitas vezes pelo facto de os pivôs serem presença assídua nos telejornais, estas acabam por ser reconhecidas mais pelo público em geral, tornando-se inclusivamente alvo de interesse por parte das revistas, por exemplo, de televisão?
Acho que isso é natural, mas cada um faz a gestão da carreira da forma que quer.
Não me parece que a vida pessoal de um pivôt de informação possa ser de interesse público, a menos que a pessoa o permita.

15) O facto de ultimamente estar a apresentar «A Última Edição» no TVI 24 faz com que tenha de trabalhar até bastante tarde. Habitualmente a que horas se deita quando está à frente da Última Edição?
Geralmente deito-me por volta das 2h da manhã. Mas acordo cedo, nunca gostei de dormir muito e este horário exige disciplina e rotinas.

16) No dia seguinte, consegue levantar-se cedo, ou o facto de ter este horário mais nocturno, permite-lhe acordar mais tarde?
Como dizia na pergunta anterior, acordo cedo. 9h, 10h estou acordada. Gosto do sol da manhã, deixa-me bem disposta o resto do dia.

17) Os directos trazem quase sempre situações de imprevisibilidade, sobretudo, por exemplo, quando acontece algum problema com o teleponto, ou uma gralha no texto. Para além de um certo dia ter dito, aquando do desaparecimento de um corpo no mar, ter dito, «finalmente, o corpo deu à luz», que outras situações mais caricatas guarda no seu percurso profissional?Os jornalistas trabalham naturalmente com notícias ditas pesadas. Se não encararem tudo com uma certa leveza torna-se complicado. Há uma equipa fabulosa sempre à nossa frente e no nosso ouvido que nos faz sentir protegidos e que nos empurra para cima em momentos mais complicados.
As pessoas não imaginam a quantidade de imprevistos que acontecem num jornal. Mas isso é bom porque faz-nos crescer enquanto profissionais.


18) O facto de a Lara ter diariamente que dar cara a um espaço informativo do TVI 24 tem de previamente ter um cuidado com a imagem, como a roupa que veste. Em média, num dia normal de trabalho a que horas chega à redacção e se prepara para mais tarde entrar no ar?
Tenho naturalmente cuidado com a minha imagem não só porque dou a cara num espaço informativo.
Quando estou de férias ou folgas, gosto de andar mais confortável.
Chego à Tvi sempre às 18h00. Conto com 1h e meia de preparação, cabelos e maquilhagem e vou para o ar a primeira vez às 20h00.

19) Lara para além da sua vida profissional tem muitos cuidados com a sua imagem, estado físico, por exemplo. Agora de Inverno, por exemplo quantas vezes por semana costuma ir ao ginásio. Como consegue conciliar a sua vida profissional com a prática de exercício físico?
No Inverno sabe melhor ir ao ginásio. Geralmente vou de 2ª a Domingo, todas as manhãs. Não diz apenas respeito a uma questão de imagem, mas é uma espécie de terapia para a alma e para o espírito.
A minha vida processa-se a uma velocidade alucinante, por isso tenho necessidade daquelas 2 horas matinais para estar comigo, para cuidar de mim e para organizar as minhas ideias e o meu dia.

20) Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores, para que continuem a visualizar a informação transmitida no TVI 24?Porque é isenta e credível. O mundo em tempo real.

21) Projectos para o futuro?Crescer todos os dias profissionalmente porque sinto-me previligiada por acordar todas as manhãs para fazer uma coisa que gosto.



Saturday, February 5, 2011

À CONVERSA COM RICARDO PINTO: ENTREVISTA EXCLUSIVA AO JORNALISTA E PIVÔ DO TVI24, BERNARDO SANTOS



1) O Bernardo nasceu e cresceu no Porto. Como nos descreve a sua infância? Tem mais irmãos, irmãs? Que recordações guarda desses tempos?

Não tenho irmãos. Tive uma infância excelente com uma mãe super protectora e um pai muito divertido. Os meus pais tiveram um filho que morreu ainda antes de eu nascer. Durante os primeiros anos fui o exemplo máximo do “filho único”, demasiado mimado pela minha mãe. Já o meu pai fazia o contrapeso. Depois, a partir dos 6-7 anos passava os dias na rua com os meus amigos. Cresci numa praceta no Porto onde brinquei com dezenas de miúdos da minha idade. Era uma espécie de ilha onde podíamos fazer o que quiséssemos, correr à vontade. Foram os tempos mais fantásticos da minha vida! Lembro-me de fazermos jogos de futebol no meio da rua e termos de parar o jogo, aborrecidíssimos, para deixar passar um carro. Os condutores, que já estavam habituados a passar naquela rua, reduziam a marcha ainda antes de nos ver. Fomos absolutamente livres o que, acho eu, hoje em dia não acontece com as crianças. Construíamos tendas de índios nos terrenos que ainda não tinham sido ocupadas e mais tarde explorávamos as obras das casas que iam sendo construídas. Nem sei como não fui parar ao ramos da engenharia civil, como aliás aconteceu com alguns amigos de infância...(risos).

2) Com que idade sente que o jornalismo poderia marcar a sua vida? Nos tempos do ensino básico, secundário, alguns acontecimentos que vieram de certa forma incentivar esta paixão pelo jornalismo?

Mafra Oliveira e Silva, Director de Formação da RTP

Desde miúdo que tinha a fixação pelo jornalismo. Não havia ninguém na família ou próximo dela que tivesse essa profissão ou pudesse exercer esse tipo de influência. As minhas tias contam que quando a família se juntava para um aniversário ou algo do género, eu virava os copos ao contrário, a fingir que eram microfones, e entrevistava toda a gente. Enquanto os outros miúdos queriam ser médicos ou bombeiros já eu, desde muito pequeno, respondia sempre da mesma forma, sem nenhuma razão aparente, à célebre pergunta:
- O que queres ser quando fores grande?
- Jornalista!

3) A sua formação universitário ocorre onde e qual o seu 1.º local de estágio?

Não posso falar em primeiro estágio porque o meu percurso foi diferente do normal. Comecei a trabalhar em rádio com pouco mais de 16 anos. Um dia fui bater à porta de uma rádio local, em Vila Nova de Gaia, e pedi para me deixarem trabalhar. A Universidade veio depois. Estudei na Universidade Fernando Pessoa, no Porto no curso de Ciências da Comunicação.

4) Assume que a rádio é a sua grande paixão. Que recordações guarda desses tempos? (poderá falar nas rádios onde esteve e que tipo de programas fazia) Acredita que ainda poderá voltar a dar a sua voz a um programa radiofónico?

Eu brinco muito com isso. Costumo dizer que se me saísse o euromilhões a primeira coisa que fazia era comprar uma rádio local e viver o resto dos meus dias a fazer playlists e entrevistas (risos).
Comecei por trabalhar numa rádio local absolutamente de borla e mais de 10 horas por dia. Tentei aprender tudo. Desde locução, propriamente dita, até a fazer spots. Foram dias fantásticos a usar cassetes e revox’s e a cortar fitas a olho (risos)...
Em rádio fiz de tudo o que havia para fazer. Passei por 7 ou 8 estações no Porto. Cheguei a ter programas com musica popular e chamadas em antena dos ouvintes a desejar os parabéns à filha ou à neta. Era fantástico! Nunca aprendi tanto como nesses tempos.
Cheguei a fazer passatempos em directo em que durante uma hora atendia mais de 50 chamadas de ouvintes. Lembro-me de brincadeiras que fazia, como por exemplo, dizer que me apetecia uma mousse de chocolate e que o primeiro ouvinte a trazer uma ao estúdio ganhava um prémio qualquer, qualquer coisa irrisória... Foi brutal, nesse dia chegaram mais de 20 mousses ao estúdio! Posso dizer que foi uma dor de barriga global nessa semana. Até a senhora da limpeza da rádio andou mal disposta (risos).

5) Enquanto voz da rádio há certamente músicas que o marcaram e que ainda hoje faz questão em ouvir. Quer-nos apresentar os cinco primeiros lugares na sua playlist?

Esta pergunta é tão difícil... preferia que me pedisses um rim ou outro órgão qualquer. De Prince a Stones, de Stevie Wonder a Nina Simone... Passemos à próxima, por favor senão esta conversa nunca mais acaba (muitos risos).

6) Com que idade e em que circunstâncias começa a fazer televisão?

A minha entrada na televisão é puramente acidental. Eu trabalha num site, durante o “boom” da Internet, e tinha deixado as rádios por algum tempo quando um dia a televisão me bateu à porta por mero acaso...
No Porto há o costume de se beber café no mesmo sitio todos os dias a seguir ao jantar. Num desses dias conheci a Mónica Gomes, hoje produtora da RTP Porto, na altura assessora da direcção de um novo projecto que se ia formar chamado Porto TV. Quando a conheci não fazia ideia qual era a profissão dela. Entre conversas esporádicas, que se transformaram em quase diárias com ela e com o marido à roda do café, confessei que já estava com saudades de fazer jornalismo. Ela pediu-me o currículo. Eu estranhei e perguntei-lhe para o que era. Não me quis dizer. Numa noite de insónia decidi actualizar o currículo e imprimi-lo. Andou comigo no carro algumas semanas. Certo dia ela voltou a pedir e eu dei-lhe. Uma semana depois estava a receber um telefonema para ir a uma entrevista. Fui e a direcção da futura NTV convidou-me para entrar no projecto. Demorei poucos minutos a dizer que sim. Voltei ao site onde trabalhava, despedi-me e deixei um ordenado muito simpático em troca por um estágio de seis meses mal remunerado sem a garantia de ficar a trabalhar no canal. Não sei explicar porque decidi assim. Foi um feelling...


7) Ainda se lembra do seu 1.º directo. Que tipo de acontecimento foi e em que local?

Lembro-me perfeitamente. O meu primeiro directo de televisão foi a reabertura da Brasileira, um dos cafés mais míticos do Porto que esteve fechado durante muitos anos. Era uma reportagem sobre a recuperação da baixa da invicta e a reabertura daquele café podia dar um novo impulso ao centro da cidade que estava muito morto. No fim do directo descobri na porta ao lado uma loja arrombada. O chão estava pejado de seringas. Peguei na câmara, que nessa altura da NTV nós é que filmávamos, e tirei umas imagens. Lembro-me de ter ficado estarrecido ao ver aquele cenário. Uma loja abandonada que tinha sido ocupada por uma dezena de tóxicodependentes. Assim ganhei uma peça para o dia seguinte.

8) Um pivô de televisão tem obrigatoriamente antes de entrar no ar pela maquilhagem, na medida em que a imagem é extremamente importante em televisão. Após alguns de maquilhagens diárias já se habitou à rotina, ou ainda continua a ser um «sacrifício» dar o rosto à maquilhagem?

Odeio (risos). Eu tenho alergias e sou muito irrequieto. Para mim é um suplicio! As minhas colegas da maquilhagem são super pacientes. Faço birras, arranjo mil desculpas mas no fim acabo sempre por ceder porque não há outro remédio.
Sempre fui assim. Quando era miúdo e chegávamos à praia a minha mãe espalhava-me o protector solar no corpo todo. Quando chegava a altura de besuntar a cara eu fugia pela areia (risos).

9) Ainda relativamente à sua imagem, pessoalmente, sentia-se melhor com ou sem a sua gravata. Aliás, as calças de ganga por baixo de uma camisa, gravata e casaco, é já imagem de marca, não é assim?

Eu só uso calça de ganga quando sei que nunca se vai ver no écran (risos). Eu e quase todos os meus colegas.
Sinto-me melhor com gravata, confesso... Até por uma questão de respeito por quem nos está a ver. Há quem considere insultuoso que não a usemos. Um ministro, um bancário, um vendedor, um pivot, devem estar sempre de gravata. É um tipo de modernice com a qual não concordo, de todo.



10) Um pivô e um repórter assumem duas posições distintas na construção e divulgação da notícia. Ainda hoje continua a fazer reportagem. Que vantagens retira desta possibilidade?

A reportagem (escrita, dita ou filmada) é a forma mais nobre do jornalismo. Acredito que esta frase diz tudo.


11) Ainda aquando pela sua passagem pela RTP, o Bernardo e outros colegas de profissão foi destacado para se inserir durante 6 dias, num ambiente que tinha como objectivo prepará-lo a si e aos colegas para eventuais coberturas de cenário de guerra. Que ensinamentos retira desta sua passem pela «Túria»? Sente que hoje estaria preparado para situações similares, desta vez, reais?

Esse curso foi fantástico! Era um curso que envolvia cenários de guerra mas também outros cenários de tensão e conflito. Eu nunca estive, com muita pena minha, num cenário de guerra em trabalho. Acho que seria importante para a minha formação como profissional mas também como ser humano. Muitas vezes converso com colegas que já correram mundo e concluímos que alguns ambientes que se vivem em estádios de futebol, por cá, são mais assustadores do que um cenário de guerra no Iraque ou no Afeganistão. Nesse curso, graças à clarividência do Luís Castro e do José Carlos Ramalho aprendemos muito sobre como reagir nos vários tipos de situações que rapidamente podem ficar descontroladas e das quais não estamos livres no dia-a-dia.
Além disso essa semana que passámos em Mafra aproximou-nos a todos o que nos fez perceber que, embora naquele caso encenadas, a situações limite aproximam, e muito, as pessoas.

12) Bernardo, muitos jornalistas vêem-se muitas vezes envolvidos em situações caricatas, quer pelos nervos do directo, ou o próprio acontecimento em si. Em vez de lhe pedir que nos enuncie alguns desses momentos, pedia-lhe que comentasse alguns que estão disponíveis no youtube. O 1.º está relacionado com a sua ligação à NTV, onde aliás foi um dos primeiros rostos do canal. Afinal estava ou não em directo aquando daquelas afirmações e que enredo levou a isso?
Vídeo: (http://www.youtube.com/watch?v=SGqSPetUNHQ&feature=related)



(risos) Eu não tenho como explicar o que aconteceu...
Lembro-me do director de informação da NTV, Dinis Sottomayor, me ter dito que um plateau é um santuário e que aprendi da pior forma possível a respeitar isso.
Não estávamos em directo. Os jornais na NTV era gravados. Naquele domingo à noite estávamos cansados e eu enganei-me (da forma que é visível e que não carece de mais comentários) e aquela versão que tinha ficado mal foi regravada. O colega que tinha a função de escolher a versão final enganou-se e escolheu a errada. Acontece.
A única coisa que na altura me magoou mais foi ter percebido que o vídeo foi parar à Internet não porque algum espectador o tivesse gravado legitimamente mas porque um colega mal intencionado o pôs a circular. Ainda por cima a ideia que passa é que eu estaria muito zangado, mas não. Estávamos a brincar e a parte que é visível dá uma ideia errada. Mas enfim...
Hoje é uma questão perfeitamente sanada. Uma coisa garanto; Nunca mais voltei a dizer uma asneira em estúdio! (risos)

12) Entretanto e mais uma vez aparece como um dos primeiros rostos na RTP N. Que tipo de programas informativos teve na grelha deste canal de informação e qual o que lhe deu mais gozo, mais paixão, fazer?

Na RTP o período que me deu mais prazer foi exactamente o do arranque da RTPN em Lisboa. O dia-a-dia de pôr os jornais no ar, as entrevistas de ultima hora e a adrenalina de perceber que a coisa podia falhar a qualquer momento, porque era normal no inicio a máquina não estar oleada, deram-me muito gozo.



13) Em 2009 vem trabalhar para a TVI, local onde se encontra habitualmente. E mais uma vez um dos rostos da estreia do canal por cabo, TVI 24. É um Carmo, ou pelo contrário um privilégio vir assumindo estes novos locais de trabalho?

(risos) Não, não é nenhuma cruz, pelo contrário! É fantástico poder começar alguma coisa principalmente se for a partir do zero. Isso já me tinha acontecido na NTV e a adrenalina é fantástica. Com o tempo é curioso ver como as coisas se desenvolvem e acompanhar o crescimento do canal. A realidade do cabo está a mudar e é muito interessante perceber que é nos canais temáticos, nomeadamente nos de notícias, que os espectadores mais confiam.
O TVI24 ainda tem um longo caminho a percorrer mas sentir que os passos que está a dar são sólidos é muito gratificante.

15) José Carlos Castro foi o coordenador dos novos rostos do novo canal de informação. Que grandes ensinamentos retirou destes encontros e que faz questão em pôr em prática no seu quotidiano?

O Zé Carlos é muito exigente mas ao mesmo tempo muito divertido. Foi muito importante ter passado quase um mês em formação com ele porque advertiu-nos para muitos erros que, na pressa do quotidiano, muitas vezes acontecem. Nós também adquirimos muitos “vícios” e ele ajudou a limpa-los.
Foi bom para incorporar o espirito TVI e perceber onde é que o TVI24 queria chegar. Sou apologista que este tipo de formações devem acontecer periodicamente quanto mais não seja para fazer uma pausa e perceber o que pode estar mal. Para mim, que já tinha sido apresentador alguns anos, foi importante perceber certos erros que cometia. Nisso o Zé Carlos é implacável.

16) Há quem diga que a vida de pivô se encontre bastante facilitada, porque apenas têm de reunir os vários pivôs, peças construídas pelos diferentes repórteres e limitar-se a ler o teleponto. Não obstante essa ideia é errada, até porque o Bernardo depois da maquilhagem senta-se em frente ao computador e aliás tem um hábito muito particular, o de ler as notícias várias vezes e em voz alta. Quer nos falar um pouco destas rotinas. A que horas entra e sai da redacção da TVI num dia habitual de trabalho?

Um pivot que tenha brio no seu trabalho não se limita a ler o teleponto. As pessoas não fazem ideia mas, de facto, o lugar é muito trabalhoso. É preciso rever peças, tirar dúvidas, acertas imprecisões que possam estar nas propostas de textos que nos chegam. Depois há também as entrevistas que têm de ser preparadas, as combinadas de véspera e as de ultima hora. Os directos, os debates... Já para não falar daquela que é a função maior de qualquer jornalista, independentemente do cargo que exerça, que é estar informado. Isso sim, dá muito trabalho e “queima muita pestana”.
Não meço o trabalho por horas. Chego com a antecedência necessária e saio quando o trabalho termina. E muitas vezes não termina ao sair da TVI. Em casa sou um “news junkie” com uma necessidade tremenda de estar informado e seguir o que fazem os outros canais. Vivo constantemente online. Até hoje não percebo como era possível viver noutros tempos sem Internet (risos).

17) Os seus colegas, falam de um amigo sempre bem-disposto e que aliás está sempre prestes a ajudar, nem que seja a cortar a mebocaína para as colegas com o seu canivete. Bernardo, afinal que história é esta?

Eu tenho um lado de “gadget man” e uma mochila sempre recheada de tudo que te possa passar pela cabeça (risos).
Nesse dia a Rita Rodrigues estava doente, com dores de garganta, e não conseguia engolir as pastilhas inteiras. Procurei no saco do “sport billy” uma solução rápida e encontrei um canivete que foi precioso, durante as 5 horas de emissão que fazíamos juntos, para cortar as pastilhas para que ela as pudesse engolir (risos).
Quanto a ser bem disposto acho que não é mais do que uma defesa num mundo em que as pessoas estão cada vez mais sisudas. Isso e o facto de não ser “amigo do stress”. Há alguns anos o Vítor Hugo, um jornalista sénior com quem trabalhei na RTP, disse-me que esta profissão é uma profissão de vida e não de morte e que apreciava essa minha característica. Com o tempo dou-lhe cada vez mais razão. Ser jornalista não é fácil. Tudo é para ontem e não pode ter erros. Stresso muito, é um facto. Mas não abdico de, nos momentos em que não é preciso stressar , contar umas piadas e aproveitar o facto de ser feliz e ter a profissão com que sempre sonhei.

17) Quando pode e aliás ainda no ano passado fez questão de dar a cara pelo apoio às vítimas da Madeira. A ideia que os pivôs da informação são «seres automatizados, desprovidos de sentimentos» está completamente errada. Aliás é um pivô onde o sorriso marca muito a sua expressão facial. Como é que vê a sua relação com o tipo de profissão que tem?

Eu adoro o que faço. De certa forma sinto-me um privilegiado. Mas muitas vezes ao darmos uma notícia colocamo-nos no lugar da pessoa e pensamos o que seria se nos tivesse acontecido aquilo a nós. Se fiz alguma coisa foi muito pouco. Digo-o sem falsas modéstias.
Não acredito em jornalistas automatizados. Uns disfarçam melhor do que outros. Tento levar a profissão da mesma forma que levo a vida. Sem me levar muito a sério com a devida excepção de quando é, de facto, necessário.

19) Foi no final também deste mesmo programa, onde Susana Bento Ramos afirmou, que o Bernardo não gosta nada de perder. É mesmo assim?

Confesso que não gosto, nem a feijões! (risos) Mas é só nas coisas recreativas porque no resto tenho muito fair play. Esforço-me por dar o melhor de mim e aí não fico aborrecido se não fui o melhor. Para a próxima tento corrigir o que estava mal.

20) Sendo um dos rostos do TVI 24, nomeadamente com alguns programas, com um estilo bastante radiofónico, onde os telespectadores entram em directo através do telefone, de certa forma o formato de rádio continua presente. Não obstante, enquanto que na rádio as suas expressões faciais não são visíveis, onde pode, baixando o som do seu microfone, soltar gargalhadas pela situação que lhe está a ser narrada. Já em televisão isso não é possível e por vezes certamente teve vontade de as soltar. Para ilustrar esta mesma situação (http://www.youtube.com/watch?v=HmQ0wqKS7c0&feature=related)



Quer nos dizer o que lhe passou pela cabeça durante este directo e qual a melhor forma de suster o riso, bem, bem, lá no fundo?

Bem... Este é um caso paradigmático. Confesso que o tema do programa não me agradava muito mas, por esse facto, não podia desvalorizar algo que alguém, estando ou não na posse das suas faculdades, poderia estar sentir. Sou uma pessoa de riso fácil mas tenho muito respeito pelo sofrimento dos outros e acho que foi isso que me fez conter.

21) Bernardo já pensou em usar lentes de contacto, ou os óculos são já imagem de marca?

Os meus amigos sabem que há três coisas do ponto de vista físico em que só em caso de vida ou morte alguém iria mexer;
Os olhos. Faz-me muita impressão até a maquiar. Não imagino ser operado e muito menos estar a tirar e a pôr lentes todos os dias. Os óculos estão para ficar!
As costas, tenho medo de ficar paraplégico.
O coração, só seria operado se estivesse a morrer.

22) Para além da sua paixão pelo jornalista é também um guitarrista amador. Já pensou em brindar os telespectadores da TVI, por exemplo numa das suas galas com uma boa música ao som da sua guitarra?

Nem pensar! Como ouvi um dia o Rui Veloso dizer sou um “guitarrista da tanga” (risos).
Na adolescência confesso que sonhava em ser um guitarrista de mão cheia mas depois passaram-se alguns anos em que nem olhei para a guitarra. Hoje em dia só toco quando junto amigos mais próximos e é quando podemos tocar e cantarolar qualquer coisa sem qualquer pretensão.
Se tiver de tocar para desconhecidos morreria de pânico! (risos)

23) Bernardo, na sua vida mais íntima. Na sua página oficial de facebook assume-se viúvo. É nestas pequenas coisas onde deixa dar azo à sua capacidade humorística?

É como eu costumo dizer... Não nos podemos levar a nós e à vida muito a sério.
Em tom de brincadeira chamo “carinhosamente” às minhas ex-namoradas de falecidas esposas... (risos)
Quando tive de preencher o estado civil no facebook achei piada e escolhi viúvo.

23) Aos 34 anos de idade sente-se feliz com aquilo que fez e sobretudo com o que está a fazer actualmente?
No que toca ao trabalho acho que ainda tenho muito para fazer. A ambição, com conta peso e medida, pode ser uma qualidade. Mas por vezes penso que já faço o que gosto e que até tenho uma vida profissional recheada. Tenho sonhos mas eles vão chegar se tiverem de chegar. Para já limito-me a fazer o melhor que sei e posso no que tenho entre mãos.
Do ponto de vista pessoal sempre tive a ambição de ter filhos, embora ache que é uma responsabilidade muito grande. Talvez por isso ainda não tenha chegado o momento certo. Mas isso levanta algumas questões. Vamos inverter os papeis e agora deixo eu a pergunta:
- Será que há momentos certos para fazer as coisas na vida?

Sunday, January 16, 2011

À CONVERSA COM RICARDO PINTO: Entrevista exclusiva ao jornalista e pivô de informação da TVI, Marcos Pinto

1) Marcos quando era pequeno e nas redacções da escola o mandavam falar sobre o que gostaria de fazer no futuro, o quê que escrevia?
Não me lembro o que escrevi no caderno da escola, mas lembro-me que este miúdo quis ser militar e fazia paradas militares, não só em família mas também no centro da aldeia, para toda a gente ver. Numa fase posterior, ainda pensei em ser padre, era acólito e achei que podia progredir na carreira. (risos) E depois, um teste psicotécnico muito estranho, no final do 9º ano, sugeria que fosse camionista. Bom, mas a estrada a vida tomou, claramente, outra direcção. Em comum, só mesmo o gosto na condução (risos).

2) Com que idade se inicia no mundo do jornalismo. Rádio? Em que circunstâncias?
Comecei com 21 anos, dois meses depois da conclusão da licenciatura. O primeiro mês foi para enviar currículos e tive uma resposta improvável, pelo menos, quanto à expectativa que tinha. Foi um convite para estagiar no (já extinto) semanário Tal&Qual, isto em Fevereiro de 2002. O estágio só durou um mês, mas continuei a colaborar em regime freelancer, pelo menos um ano. Foi uma boa experiência, até porque o enquadramento da notícia era diferente do que é habitual e as histórias eram contadas com muita garra.

3) «A minha vida é a rádio» afirma o Marcos no seu blogue pessoal. Na sua óptica um bom jornalista de televisão, por exemplo, sente sempre a necessidade de se manter ligado à rádio? Porquê?
Quando afirmo que a minha vida é a rádio, é porque, a seguir ao primeiro estágio, não hesitei em trocar o jornal por um projecto de uma rádio online de um instituto universitário. Em 2002, uma rádio na internet ainda era uma novidade e a audiência era residual. Mas lá está, como era rádio, nem pestanejei e ganhei as primeiras luzes sobre o mundo do éter. Mas saliento também que, passava as minhas férias universitárias, ao leme de um microfone de uma rádio local na Beira-Alta. Lá está, no verão, enquanto todos jogavam à bola e mergulhavam na piscina, eu gostava mesmo era de passar música.
Quanto à segunda parte da pergunta, digo que sim, mas não é preciso estar obrigatoriamente ligado, quando se fica com a escola da Rádio. O que eu digo é quem trabalha na TV, é claramente um melhor jornalista, se tiver passado primeiro pela Rádio.

4) NO AR, 100 Histórias da Rádio". Como é que nasce o mote para este livro?
A ideia nasceu quando fiz um programa de autor no Rádio Clube Português, durante dois anos, nas tardes de fim-de-semana. Chamava-se “Toda a Tarde” e foi, até hoje, o meu melhor momento. Tinha liberdade de fazer tudo e pensei que, estando no RCP, numa estação com tantos anos de histórias, valia a pena recordar as grandes histórias e figuras da Rádio. Saliento, porém, que o livro não recuperou as entrevistas na Rádio, fiz questão de voltar a encontrar-me com os mesmos intervenientes, fora do estúdio, numa bela conversa de café. O livro foi um projecto de vida que consegui realizar.

5) Todos dizem que para se ter uma voz bem colocada é necessário ter uma voz colocada! Que cuidados a ter com ela?
Não concordo que a voz tenha de ser bem colocada. A voz é a voz, ponto. E todos temos uma boa voz e quem nos diz o contrário, é preciso provar. Agora, claro, há vozes mais melodiosas do que outras. E se temos uma voz mais aguda, podemos adaptar o tom ao ritmo e à modulação. Acima de tudo, temos de saber cuidar, tratar bem da voz. Costumo dizer, em jeito de brincadeira que se a voz tivesse personalidade jurídica, como é, por vezes, tão mal tratada, havia muita gente a responder em tribunal.

6) Como é que foi passar pelas revistas de Televisão TV 7 Dias e TV Guia com registo completamente diferente do que faz habitualmente?
Concordo, foi um registo absolutamente diferente, que aceitei, mais por imposição de vida do que, por vontade. Ainda assim, não me arrependo nada. Até porque no mundo da TV, há entrevistas e reportagens magníficas que se podem fazer a protagonistas e acontecimentos. Entrevistei o Herman José quando ele fez 50 anos, estive em Madrid com o Paulo Pires ou então com o Nuno Norte, o primeiro vencedor do “Ídolos”, em Londres, quando ele gravou o primeiro disco. Foram belos momentos. Ou seja, não importa o meio mas sim o que podes fazer em comunicação.

7) Como é que vê a designação 4.º Poder atribuídos aos média na actualidade?
Quarto poder? Não diria que é o primeiro, mas é o segundo ou terceiro, em muitos casos. Quem contaria os erros da justiça? Quem falaria dos casos de corrupção entre empresas e políticos? Como teria sido o processo Casa Pia sem os media. A Comunicação social de um país é o reflexo do grau de democracia e a liberdade de expressão e informação. No fundo, ajuda uma sociedade a ser melhor quando as pessoas são informadas sobre o que se passa, longe dos olhos, mas perto da consciência cívica.

8) Um pivô da informação tende a manter um ar isento, directo. No entanto e nomeadamente no «Discurso Directo» no TVI 24 ou programas similares em que telespectadores entram no ar, muitas vezes com uma opinião imprevisível, quer nos contar umas das intervenções mais caricatas onde conter o riso foi quase ou mesmo impossível?
Costumo dizer que o discurso directo é o que mais se aproxima de um programa de Rádio na TV. Não temos rede, nunca sabemos o que vai acontecer. Sabemos como começa mas nunca como acaba. Ah, têm sido muitos, os momentos divertidos, mas destaco um, na véspera de um Porto-Benfica, quando um telespectador disse que eu era benfiquista e que era uma vergonha estar a moderar a conversa, e que não era isento. Porquê? Era a gravata vermelha que estava a usar. Já viram o cabo dos trabalhos que o guarda roupa da TVI me arranjou? (risos)

9) Na «Alma dos Anjos». Pode-nos falar um pouco da forma como entende a sua religião. Acredita que existem milagres e que a nossa cultura contemporânea se constrói um pouco em volta dessas soluções milagrosas?
É o titulo de uma biografia que escrevi sobre os 10 anos de carreira sobre os “Anjos” enquanto projecto musical ímpar em Portugal. Os fãs gostaram muito do livro e isso deixou-me muito feliz. Sim, acredito em milagres e que também podemos fazer milagres. Sou um homem com muita fé. Em mim, também, há dias melhores que outros mas sim, tenho fé, sou católico não praticante mas acredito em Deus. Mas a igreja devia ser mais comunicação e gosto de ir a uma missa, para ouvir uma homília. Torna-se difícil quando o padre é uma “grande seca” (risos). Mas confesso que me afasto da Igreja em assuntos tão fracturantes como o uso do preservativo ou o aborto, em determinadas situações.

10) O espírito de Natal esteve mais aceso do que nunca na sua vida este ano, ou não fosse o Marcos, um dos rostos de «Histórias de Natal». O que recorda dos seus natais na Alemanha, rodeados provavelmente de muita neve?
Deixei a cidade de Hamburgo, aos 4 anos, muito novo vim para Portugal. Creio que só passei um natal na Alemanha e tenho uma vaga ideia de muitos presentes só para mim. É que filho único tem as suas vantagens (risos). Mas guardo uma prenda incrível, até hoje: um triciclo. Por falar nisso, o volante precisa de ser mudado.

11) Ainda acredita no Pai Natal?
Claro que sim. O Pai Natal é aquilo que cada um quiser. E quando a vontade é muita, o sonho comanda o Natal. Como nota de rodapé, o Histórias de Natal correu muito bem e teve audiências fantásticas no TVI24.

12) Marcos, grande reportagem ou pivô da informação? Porquê?
Pivô, confesso! Porque os dias não se repetem, é tudo imediato, em directo. Mas nunca digo não a uma grande reportagem. Não há nada melhor do que um jornalista contar uma história grande. É magnifico.

13) Apesar da TV, o bichinho da rádio contínua lá, os ouvintes terão novidades já em 2011 do Marcos na rádio?
Já disse que a rádio é a minha vida. 2011 começa sem novidades mas gostava muito de voltar à Rádio, ter uma colaboração pontual, por exemplo. Mas se tivesse de optar entre Rádio e TV, seria… Rádio. O que mais gosto é passar música e contar uma história pelo meio. E sorrir na Rádio, é maravilhoso.

14) Se eu lhe pedisse a playlist da sua vida num extensão de 5 músicas, quais seriam elas e porquê?
Que pergunta difícil. Não são 5, são muitas mais. Mas aceito o desafio, cá vai:


- Peter Gabriel “The Book of Love” – fala de amor, que é o livro da vida
- LightHouse Family – “Ocean Drive” – há uma parte da música que diz faz tanto do tão pouco. “O céu é azul e sol brilhará sobre tudo o que tu fazes”
- Rui Veloso “Negro Rádio de Pilhas” – preciso de explicar esta? (risos)
- Oasis “Don´t Go away” – bem sei que o tempo é coisa preciosa, mas às vezes, precisamos de tempo para fazermos as coisas bem feitas
- Tiago Bettencourt - “Canção simples” – porque a simplicidade é um grande segredo e uma grande forma de resolver as coisas.
Só 5? Que pena. Atenção, o critério teve a ver com as primeiras cinco que me vieram à memória.
15) Uma curiosidade que muitos dos nossos leitores têm é perceber como é que os jornalistas que fazem pivô se sentem todos «engravatados». Provavelmente no caso do Marcos a mudança foi enorme em questões do vestuário da rádio para a televisão. Como se sente? Considera que o facto de o jornalista - apresentador apresentar-se de fato e gravata é algo relevante, ou antes pelo contrário, só serve para embelezar o ambiente?
Não vamos estar com meias medidas. Claro que é fundamental. Televisão é imagem, temos de estar maquilhados e bem vestidos. Eu fiz Rádio de calções e chinelos porque a roupa é a voz. Agora em TV, tem de ser mesmo. Quem nos vê é mais exigente do quem nos ouve.

16) «Marcos Pinto no ar» é um projecto para continuar?
Não tenho tido muito tempo, confesso. E tenho muita pena. Mas prometo, sempre que descobrir uma música fantástica, irei publicá-la no blog e partilhar com todos.

17) Projectos para 2011? Alguns em mente?
Sim, escrever um livro. Sem dúvida. E talvez, haja alguma novidade no TVI 24. Fiquem atentos. Justificar completamente




Sunday, January 9, 2011

À CONVERSA COM RICARDO PINTO: Entrevista à jornalista da RTP, Daniela Santiago

Jornalista da RTP foi distinguida pela Unesco e pelo ACIDI (Alto Comissariado para a Imigração e Dialogo Intercultural).

Daniela Santiago ganhou o Prémio de Jornalismo Direitos Humanos e Integração, atribuído pela Unesco e pelo ACIDI (Alto Comissariado para a Imigração e Dialogo Intercultural) relativo a 2008. A reportagem "Missão Reomau", dá conta de umas férias radicalmente diferentes e solidárias feitas por um grupo de dez pessoas que pagou para reconstruir uma maternidade no Senegal, sob a égide da AMI. "Estou muito contente", garante Daniela Santiago, "porque é o reconhecimento do meu trabalho e do trabalho solidário destas dez pessoas que pagaram para ir ajudar outras no Senegal".


1) Daniela se a desafiássemos a tocar uma peça de Mozart no piano sentia-se capaz, ou o Conservatório de Música já ficou arrumado na sua gaveta das recordações?
DS) Claro que tocava... mas preferia as Invenções de Bach (a nº 9 ou nº13, as minhas preferidas) ou as três Gimnopedies de Erick Satie. Pianista durante 12 anos, sempre pianista. As minhas mãos nunca vão esquecer o peso das teclas de um piano, do meu piano. Aos 18 anos tive de fazer uma escolha... optei pelo Jornalismo... não segui para o Superior de Música.

2) Como foi crescer na Covilhã? Ainda se lembra por exemplo dos seus Invernos rodeados de neve à volta da lareira?
DS) Lembro-me da neve. Nunca tive lareira. Sempre vivi no centro da cidade, num apartamento. A ideia que viver no interior corresponde a uma vida no campo, rodeada de galinhas e vacas é completamente errada (o que não significa que isso não seja bom, adoro campo e animais). Viver numa cidade como a Covilhã permitiu-me fazer o secundário ao mesmo tempo que o Conservatório em piano, cantar no côro e dar concertos, fazer rádio, sair com amigos, ir à discoteca e ser uma das melhores alunas na escola. Se estudásse em Lisboa passaria o tempo no trânsito... e não teria tido tempo para metade. Lembro-me de não ter escola devido aos nevões; de ir para a janela ver os vizinhos cairem nas escadas em frente; da Serra da Estrela “sempre a olhar para mim”; da água congelada nos canos no Inverno; do cheiro a queijo fresco; da leiteira que tocava à campainha; dos pintainhos na praça às segundas-feiras (às compras com a minha avó “Lula”; do “madeiro” de Natal e da Missa do Galo; de toda a minha família que ainda vive na Beira Interior; dos meus amigos... lembro-me e tenho saudades de tudo. Tenho, acima de tudo, grandes e boas memórias. Não nasci lá, sou lisboeta, já vivo há mais anos em Lisboa do que vivi na Covilhã (16), mas continuo a dizer que sou Covilhanense! Beirã.

3) Subiu muitas vezes a Serra da Estrela? Que recordações guarda desta sua infância no interior do País?
DS) Subi algumas... algumas delas a pé. No Verão, com amigos! Afinal, a Covilhã fica numa das encostas da Serra. No entanto, não era assim tão frequente. Quando temos algo mesmo à nossa frente, neste caso à nossa volta, habitualmente não lhe damos valor. Acredito que muitos lisboetas tenham ido à Estrela mais vezes do que eu.

4) Aos 18 anos regressa a Lisboa onde acaba por concluir o seu curso superior na área do jornalismo. Qual foi a sua 1.ª experiência profissional após a conclusão do seu curso?
DS) Vim para Lisboa aos 18 anos. Candidatei-me para Comunicação Social no ISCSP, da Universidade Técnica de Lisboa, e entrei (primeira opção). Estive na Faculdade de 92 a 96 e entrei na RTP quando terminei a licenciatura... primeiro como estagiária, depois como “recibo verde”... e, finalmente, como funcionária no quadro da empresa. Já lá vão 14 anos!


5) 4 de Março de 2001. Uma data que nunca será esquecida pelo menos para aqueles que viram partir os seus entes queridos. Como é que um jornalista consegue no meio de tanto sofrimento, impotência, lidar com as pessoas e sobretudo conseguir filtrar essa dor que se abateu em detrimento de toda esta tragédia?
DS) Essa foi exactamente a minha investigação para mestrado: “O Reconforto da Televisão – uma visão diferente sobre a tragédia de Entre-os-Rios”. A pergunta poderia levar dias a responder... a minha tese tem cerca de 300 páginas.
Escrevi sobre isso para o Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, no ISCTE. Debrucei-me sobre isso mais tarde no livro sobre o Tsunami... no projecto para o meu doutoramento em Sociologia (que ainda não concluí). Voltei a insistir na objectividade, no “falso automatismo”, na credibilidade que urge e no respeito pelos jornalistas no “Comunicação e Jornalismo na Era da Informação” e, mais recentemente, no “Ideias Perigosas para Portugal”... a minha opinião está publicada e mais que partilhada. Digo apenas que os jornalistas deveriam dar-se ao respeito... para poderem ser respeitados. Todos os telespectadores entendem que numa situação de dor não podemos ser sujeitos passivos... máquinas sem sentimentos. Se nos ouvirem, “virem”, “lerem” como jornalistas credíveis, experientes... serão informados da mesma forma, sem falsas objectividades e certezas impossíveis de fornecer. TODOS somos seres humanos.



6) «15 Dias no Sri Lanka depois do Tsunami». Que imagem encontrou quando chegou a este local? Como é que uma jornalista, uma mulher, uma mãe, uma filha assiste a este cenário tão dantesco?
DS) Ainda não era mãe nessa altura, a minha filha nasceu em 2006. No entanto, nada foi diferente por isso. Sempre fui muito sensível à desgraça, à tristeza, à dor alheia. Desde miúda que tento ajudar os outros (pessoas, animais... acusam-me muitas vezes de ser “lamechas”, sensível, “de lágrima fácil”). Não considero que assim seja, sou sensível, sim! Sou genuína, verdadeira, amiga, protectora, “mãe-galinha”, faço minhas as dores dos outros, vivo tudo com intensidade máxima. Vivo, acima de tudo! Sou eléctrica, muitas vezes sou penalizada e prejudico-me por ter o “coração na boca”. Reagir a quente, dizer tudo o que sinto e vejo. Às vezes é mau, arrependo-me e peço desculpa. No entanto, considero que, na esmagodora maioria das vezes, é muito bom! Nunca fico com nada por dizer, por sentir, por viver... No Sri Lanka descobri o Inferno. A morte e a vida. A tristeza máxima e a alegria do recomeçar de novo... do Sri Lanka vim uma nova mulher... No livro que escrevi “Inferno no Paraíso – 15 dias no Sri Lanka depois do Tsunami” fiz a catarse da Daniela Santiago mulher, desmistifiquei a Daniela Santiago jornalista... e o que é ser jornalista, mulher, ser humano... no Inferno em Vida!

7) Crianças que perdem os pais, que fiquem sem ninguém para as ajudar a crescerem. É mesmo o inferno no paraíso?
DS) É pior... porque não estamos mortos.



8) «Da objectividade total à expressão das emoções». O bom jornalista será aquele que se centra na objectividade total ou isso é impossível de acontecer na prática, uma vez que os jornalistas são seres mortais comuns, nutridos de espiritualidade?
DS) Peço desculpa por responder com uma citação... mas é minha, cito parte do texto que escrevi para o livro “Ideias Perigosas para Portugal”, 2010, Edições Tinta da China: A OBJECTIVIDADE dos Jornalistas! A OBJECTIVIDADE que tanto se apregoa aos “sete ventos” sem questionar se alguma vez é isso que APENAS importa quando se faz reportagem… e falo de REPORTAGEM, não de “notícias” feitas por “pés de microfone”, mensagens que outros fazem passar por pessoas que se auto-denominam jornalistas, mas não são mais que “mensageiros” de falsas “notícias”. Eu sei. Bem sei que, há muito, racionalmente, se deixou de insistir na “OBJECTIVIDADE TOTAL”. Pelo menos, assim acredito. Se alguém continua a defender tal aberração, ou seja, que é possível um ser humano, um Homem, ser “totalmente objectivo”, não vive decerto no mesmo Mundo que eu. Será, no entanto, correcto continuarmos a insistir com tanta veemência na GRANDE importância da objectividade no jornalismo? JORNALISMO, não “simples transmissão de informações de outrem”. Não seria mais profissional, ético, correcto… Não seria “mais objectivo”, assumir perante os leitores, ouvintes e telespectadores… Assumir, abertamente, que os jornalistas, como Homens e Mulheres, seres humanos como todos os outros profissionais, são exactamente como TODOS os seres humanos? É certo que TODOS os jornalistas (não mensageiros que proliferam nos media de hoje em dia) devem cingir-se ao trabalho, ao relato, ao testemunho mais objectivo que consigam. Devem lutar por ser isentos, o mais que consigam mas, claramente, assumindo à partida que, tal como escreveu o laureado com o Nobel da Paz Elie Wiesel, “aquele que ouve uma testemunha torna-se, ele próprio, numa testemunha”. Que relato mais fiel, que experiência pode um leitor ou um telespectador desejar para além do relato de alguém que, o mais fielmente possível, tenta contar aquilo que viu, ouviu, testemunhou… através dos seus olhos, ouvidos, olfacto… ou mesmo tacto? Não será muito mais enriquecedor contar com a experiência de alguém que, assumidamente, por força da profissão de jornalista, já “cobriu” inúmeros acontecimentos, fez parte da própria história da humanidade, do país ou da região (não são apenas os grandes acontecimentos que fazem os grandes repórteres)? A opinião de alguém que dedicou a vida ao jornalismo não será digna e fidedigna para quem a ouve? Não será o testemunho do jornalista mais fiel e imparcial que o comentário, as ideias opinativas que todos os dias se amontoam, em discursos elaborados, nos jornais ou em espaços informativos dos canais de televisão? (...) A objectividade “encapotada” é pior que assumir que os jornalistas têm o dever de isenção, devem tentar ser o mais objectivos possível… mas daí até não terem qualquer interferência na forma como a notícia chega até aos leitores, ouvintes e telespectadores vai a distância de Portugal à Nova Zelândia.
No meu, modesto, entender, a grande preocupação de todos os que trabalham nos meios de comunicação social, tal como daqueles que confiam nos jornalistas para se manterem informados, deveria passar pela CREDIBILIZAÇÃO da profissão e dos profissionais da área. Não é só o mundo da Política, a Justiça, o sector económico-financeiro… que precisam de CREDIBILIDADE.


O jornalismo atravessa um período difícil. O jornalismo encara dificuldades como nunca enfrentou. Falta credibilidade. Credibilidade precisa-se, com urgência, para quem ama o Jornalismo como eu. Confiar no bom trabalho de um jornalista não exige que esse mesmo jornalista seja um AUTÓMATO, uma máquina que transmite, exactamente, o que vê, o que ouve, sem sentimentos, coração, alma… ou discernimento do que está certo ou errado. Não se querem desvios ou interferências, mas também não se deseja hipocrisia, superioridade e arrogância despojada de qualquer sentimento humano, que nos torna a todos diferentes, e por isso mesmo, únicos e “ricos” na vasta heterogeneidade que é o Mundo em que vivemos. A experiência, a visão transversal da passagem pelos mais diversos cenários, momentos e registos, são mais valiosas que qualquer tentativa de isenção e imparcialidade totais, que, caso fossem possíveis, não fariam mais que retirar a importância, o “cunho” Humano e a emoção real desses próprios acontecimentos reduzindo-os a “pedaços de gelo”, que derretem e se diluem da memória de quem por eles passou ou ouviu falar.

9) Comunicação e Jornalismo na Era da Informação. O facto de a informação estar em constante difusão fez com que o jornalista perdesse a primazia de trazer ao público a notícia em 1.ª mão. Quais os prós e contras na sua opinião desta nova realidade?
DS) Não concordo com a primeira afirmação. O jornalista não perdeu a primazia de trazer ao público a notícia... o público é que poderá estar a ganhar novos “repórteres”, “cidadãos jornalistas”, e isso, poderá ser positivo, mas também muito negativo para a informação credível e cuidada. Só o tempo escreverá sobre o futuro do jornalismo, da televisão e das “auto-estradas da informação”. Para já, olho para esta realidade com prudência, mas também com a curiosidade de um admirável mundo novo por explorar. O futuro vai, decerto, passar por aí... pela complementariedade, pelas múltiplas plataformas de comunicação...


10) O quê que sente quando parte para uma nova reportagem exclusiva. Como é que nasce a verdadeira reportagem exclusiva, e que contornos pode alcançar?
DS) Depende das reportagens... mas sinto sempre um “friozinho na barriga” como na primeira vez. Sou jornalista por paixão e é na reportagem que mais me realizo. Se souber que vou encontrar dor, sinto ansiedade... Se souber que vou para Àfrica, tenho saudades antecipadas porque adoro aquele Continente... Na esmagadora maioria das vezes, não sei o que vou encontrar mas vou sempre ansiosa por lá chegar! Os resultados... vêm depois e são sempre imprevisíveis.

11) Pelos instantes em que conviveu com Barack Obama na mesma sala, que impressões retira da sua personalidade? Acredita que possa vir a tornar-se num líder carismático, ou já o é?
DS) Ao longo de 14 anos já estive com, e entrevistei, pessoas fantásticas, marcantes, seres humanos admiráveis, ditadores “detestáveis”, contadores de histórias apaixonantes... Famosos ou anónimos, mas sempre figuras únicas. Obama foi mais uma dessas pessoas. Fiquei muito satisfeita por ter tido a possibilidade de fazer reportagem em directo da primeira visita de Obama a Portugal. Ele é, de facto, UMA FIGURA. Tem carisma. É simpático. Afável. Estabelece contacto fácil, tem presença, credibilidade.
12) No meio de tantas tarefas é ainda professora universitária. Enquanto professora quais são os principais valores que tenta incutir aos seus alunos, futuros jornalistas deste país?
DS) Que se entreguem de corpo e alma ao jornalismo, mas também à difícil tarefa de serem “Seres Humanos”, com “S” e “H” maiúsculos. Falo com eles como jornalista, comunicadora... nunca me assumo como professora, académica, apesar de ter essa vertente na minha carreira (deixei o doutoramento a meio, está em stand by, espero terminá-lo quando a minha filhota for mais velha). Peço-lhes para terem a verdadeira noção do poder que um jornalista tem nas mãos, da importância da carreira, da responsabilidade... As minhas aulas são uma troca de experiências, de histórias, de ética e responsabilidade.

13) Qual é a sua posição relativamente ao novo acordo ortográfico? Favor, contra, mais um factor relativo à questão da globalização?...
DS) Esse é outro tema que prefiro não comentar. Como já deve ter percebido, ainda escrevo “sem acordo “! Não me imagino a escrever “ação”!
14) Enquanto jornalista que países já visitou e que peças mais a marcaram até ao dia de hoje?
DS) Bem... viajar é uma das minhas paixões. Viajo em trabalho, mas também em lazer, nas minhas férias... Rússia, Estónia, Letónia, Lituània, Alemanha, R. Checa, Aústria, Itália... Brasil, México, Cuba... Egipto, Argélia, Tunísia... Senegal, Mali, República Democrática do Congo, Moçambique, Suazilândia, África do Sul... Maldivas... Etc, etc, etc... Reportagens/acontecimentos: O Tsunami no Sri Lanka; os madeireiros portugueses e pigmeus na RDCongo; a “Missão Réo Mao - Aventura Solidária da AMI”, no Senegal (galardoada com um Prémio de Jornalismo da UNESCO e ACIDI, em 2009); os portugueses no Reino da Suazilândia... e uma grande reportagem sobre negligência médica durante o parto, “Condenados à Nascença”... as histórias do dia-a-dia!
15) Com alguns anos de jornalismo na sua carreira profissional que balanço faz da sua carreira, voltaria a fazer tudo da mesma forma?
DS) Quando se volta atrás... não é para repetir o mesmo, mas não me arrependo de nada do que fiz, só do pouco que deixei por fazer. Amo a minha profissão, ainda é cedo para balanços!
16) Para finalizarmos que conselho ou conselhos gostaria de deixar aos futuros comunicadores deste país?
DS) Leiam, leiam muito. Comuniquem, comuniquem muito. Informem-se. Façam tudo de uma forma apaixonada, esclarecida e responsável... de resto, sigam a intuição e façam por ser felizes! Boa sorte!


EM REPORTAGEM: «O SANGUE DA FLORESTA».